Presidente

Caras e caros fregueses,

É com um enorme sentido de responsabilidade — e também de proximidade — que vos falo hoje sobre um tema que já não é “do futuro”, mas do presente: o digital na forma como comunicamos, como participamos e como construímos comunidade. Uma Junta de Freguesia existe para estar perto das pessoas. E, hoje, estar perto também significa estar disponível onde muitos de nós já vivem parte do seu dia: no telemóvel, no computador, nas plataformas digitais.

O digital não vem substituir o contacto humano. Pelo contrário: vem reforçá-lo. Vem permitir que uma informação importante chegue mais depressa, que um aviso urgente seja visto a tempo, que um serviço seja pedido sem perder uma manhã inteira em deslocações, e que um simples esclarecimento não dependa de “apanhar a Junta aberta”. Para quem trabalha por turnos, para quem tem mobilidade reduzida, para quem cuida de familiares, para os mais novos que se organizam online e para quem está fora mas continua ligado à terra — os canais digitais são uma ponte. E essa ponte tem de ser segura, simples e acessível.

Por isso, queremos dar um passo claro: melhorar e multiplicar os canais digitais da nossa Junta. Queremos uma comunicação mais rápida e transparente, com informação atualizada e organizada. E queremos, acima de tudo, que cada freguês possa participar mais — não só ouvindo, mas também dizendo, sugerindo, reportando e acompanhando.

Quando falamos em disponibilizar canais digitais, falamos de coisas muito concretas: um site simples e útil, com serviços e documentos; uma área de pedidos e marcações; avisos e comunicados em tempo útil; redes sociais usadas com responsabilidade; contactos diretos por email e formulários; e, sempre que possível, respostas mais rápidas e acompanhamento do estado dos pedidos. Falamos também de criar canais para ouvir: caixas de sugestões digitais, inquéritos à comunidade, e espaços de participação em decisões locais. Porque uma freguesia mais informada é uma freguesia mais forte — e uma freguesia mais ouvida é uma freguesia mais unida.

Mas há um ponto que para mim é essencial: inclusão. O digital só é progresso se for para todos. Não podemos criar serviços que excluam quem tem menos hábitos digitais, quem não tem equipamentos, ou quem simplesmente prefere o atendimento presencial. 

Também vos digo isto com franqueza: os canais digitais trazem responsabilidade. Significam transparência, rapidez e rigor. Significam responder melhor, organizar melhor, prestar contas de forma mais clara. E essa é uma exigência que aceitamos. A confiança constrói-se com informação acessível, com comunicação consistente e com um diálogo que não acontece só “quando há eleições” ou “quando há um problema”, mas no dia a dia.

Caras e caros fregueses,

A nossa freguesia tem uma identidade forte, feita de relações, de vizinhança e de solidariedade. O digital não apaga isso — pode amplificá-lo. Pode ajudar a divulgar o comércio local, a promover eventos, a mobilizar voluntários, a partilhar iniciativas das associações, a valorizar o que é nosso. Pode fazer com que um jovem se envolva mais, com que um idoso receba um aviso importante, com que uma família resolva um pedido com menos burocracia, e com que alguém que está longe continue a sentir-se próximo.

Deixo-vos, por isso, um compromisso e um convite.

O compromisso: vamos investir em canais digitais úteis, claros e acessíveis, sem perder a proximidade humana que sempre nos definiu.

O convite: usem esses canais, participem, digam-nos o que funciona e o que precisa de melhorar. A comunicação não é só aquilo que a Junta “envia” — é aquilo que todos construímos, em conjunto.

A freguesia é de todos. E, com as ferramentas certas, pode ser ainda mais próxima, mais transparente e mais participada.

Muito obrigado.

Artur Martins